I could kill you sure but i could only make you cry with these words

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mate com limão
andreia_rg

Chegando do trabalho Virgínia girava a chave para abrir a porta de seu apartamento lentamente. Não era desânimo. Era só falta de pressa. Falta de pressa pra viver.

Tirou seu casaco marrom, comprido, um tanto surrado e deixou-o em cima da mesa. Olhou fixamente para o toca-discos. Um olhar sem dúvida. A agulha já estava na posição para tocar Ballad Medley na versão de Sonny Rollins. Escutara essa música o final de semana inteiro. O som do piston a deixara completamente feliz por ser a pessoa mais triste do mundo. Às vezes Virgínia se importava mais com a trilha sonora que narrava sua vida do que com esta em si. Si menor.

Quem parecia mesmo estar triste naquela segunda-feira gelada era seu estômago. Mas a garota pouco se importou em agradá-lo. Após ligar a vitrola, colocou a chaleira no fogo. Mate com limão. Muito quente. Muito limão.

Sua cama estava à sua espera. Teve o domingo inteiro para arrumar aquela casa de um cômodo só. Em sua cama agora haviam apenas cobertores. Três cobertores que a aqueceram em antigos invernos. Ela não se importava com o tempo.

Acompanhada de sua caneca azul e de alguns livros dos quais teria tempo para folheá-los até adormecer. Mas na verdade Virgínia sentou-se, encostada na parede fria com seu chá que começara a baixar a temperatura. Olhou fixamente para a estante, que estava empoeirando novamente. Pensando em nada e no futuro. Em nada e se realmente queria seguir seu caminho daquela forma. Em nada e se deveria colocar o telefone novamente na tomada e fechou os olhos.



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